Brizola fazendo campanha para político local em Balneário Camboriú

Nestes 54 anos de emancipação política, a pequena praia de veraneio se transformou em uma cidade turística de pequeno porte mas com jeito de cidade grande. Foi palco de atos e fatos que levaram seu nome para fora do Estado e do país. Nesta edição a reportagem está relembrando apenas alguns destes acontecimentos que transpuseram barreiras territoriais e ganharam notoriedade além do esperado. Entre eles, um show do Ramones para sete mil pessoas. Quem lembra?

Campanha pelo parlamentarismo surpreendeu


Cúpula nacional do parlamentarismo se reuniu no Hotel Marambaia.


Comício na praça com discursos e shows, entre eles o grupo de pagode Pioneiros.

Idealizada pela PSDB nacional, em 1993, nos tempos de Fernando Henrique, Mário Covas e José Serra, a campanha pelo parlamentarismo ecoou forte em Balneário Camboriú.

Dado Cherem, Sérgio Lorenzato, Gil Koeddermann, Jaison Barreto, Antônio Ballestero, auxiliados pelo jornalista Waldemar Cezar Neto e pelo radialista Tigrão, comandavam o movimento que ganharia repercussão nacional e causaria surpresa em figurões da cúpula, como José Richa, presidente da Frente Nacional Parlamentarista. “Lembro que Richa dizia que de todos os encontros abertos esse de Balneário foi o maior”, disse o líder tucano da época, Dado Cherem, hoje presidente do Tribunal de Contas de Santa Catarina.

Em janeiro daquele ano, aconteceu um encontro fechado com 250 lideranças, comandado por Richa, Covas e outros figurões, no hotel Marambaia.

“À noite a campanha ocupou a praça Tamandaré e ali reuniu três mil pessoas, surpreendendo a todos. Eles jamais imaginavam que pudéssemos fazer um encontro desta envergadura. Além da forte mobilização, era alta temporada e a política estava bombando, havia um desejo de mudança no país como agora, só que naquela época com mais esperança, mais crença na política, bem diferente de hoje”, lembrou Dado Cherem.

Ele segue dizendo que esse comício do parlamentarismo foi tão grande e importante como foi o das ‘Diretas Já’, realizado alguns anos antes, também na praça Tamandaré, no centro da cidade.


Morte da baleia virou notícia nacional

A baleia que encalhou e morreu na praia central ficou 32 horas viva e mais 34 horas morta e levou Balneário Camboriú para os noticiários nacionais.

A cachalote foi vista pela primeira vez domingo à noite (21/6/1993), em frente o hotel Fischer, por funcionários e pescadores. Na segunda-feira cedinho, grupos de voluntários estavam no local, molhando o dorso do animal, exposto ao sol forte. O estoque de vaselina, Hipoglós, e tudo que era bom contra queimadura solar acabou na cidade. Barcos e mais barcos jogavam água, cobrindo ela com lençóis. Nada adiantou e já havia uma multidão na praia. A segunda-feira virou feriado.

Na época a equipe do Página 3 (Bola, Marzinho e Marlise mais o fotógrafo da prefeitura Arnaldo Sansão) virou a noite trabalhando e torcendo, mas a cachalote morreu na terça-feira. Ninguém sabia o que fazer com ela? Somente na quarta-feira foi transportada de caminhão para Florianópolis, onde o esqueleto está até hoje. A praia viveu dias de temporada, praia cheia, curiosos vieram de todas as partes do país.


Há 30 anos, um famoso caso de polícia

Por Bola Teixeira

Eu estava matando tempo para o dia seguinte quando entraria em férias, até que um telefonema da editoria de polícia do Jornal de Santa Catarina interrompeu minha expectativa. Os filhos de Saul Brandalise Júnior, todo poderoso dono da Perdigão, foram sequestrados e teriam sido levados para Balneário Camboriú. A ordem foi de segurar as pontas até a chegada de um repórter e um fotojornalista para acompanhar o caso. Meu papel de repórter de sucursal seria somente de apoio aos companheiros que viriam de Blumenau.

Foi em um dia de abril de 1988 quando foram localizados os jovens num apartamento próximo a Avenida Brasil no sentido norte (não recordo a rua). Era um apartamento de fundos, no primeiro andar. No outro lado da rua havia um prédio baixo de apartamentos. Foi ali que os policiais se posicionaram. Na esquina da rua com a Brasil iniciou a aglomeração de curiosos que entraram a noite ali postados quando foram ouvidos os primeiros tiros.

O tiroteio se estendeu noite adentro. Recordo do bate boca entre o delegado Heitor Salomé que comandava operação naquele momento e o repórter então da TV Globo, Domingos Meirelles. O assunto do bate boca foi basicamente que a polícia disparava uma bateria de tiros e do outro lado não vinha praticamente nada. A discussão foi em tom de voz elevado. Domingos estava na rua enquanto o delegado gritava da janela de um dos apartamentos do primeiro andar do prédio. De madrugada acabou a munição da polícia e quando amanhceu a parede do prédio onde estavam as crianças crivada de bala.

A operação só foi concluída no outro dia quando foi preso o único sequestrador que se encontrava no apartamento com as duas crianças. Fiz o texto que me cabia, enviei para a redação pelo moderno aparelho de telex lançado pela Olivetti e fui para as férias. O caso foi rumoroso na época. Envolveu policiais e um epílogo com todos os sequestradores mortos de uma forma ou de outra.

Quer saber de mais detalhes do caso de polícia que movimentou a cidade dá um google.


Brizola decidiu campanha para Pavan?

A vinda do ex-governador do Rio Leonel Brizola foi decisiva na eleição que elegeu Leonel Pavan para a prefeitura em 1988. Dias antes, quando ninguém acreditava que o líder do PDT nacional viria, ele comandou um grande comício, onde hoje é o Atlântico Shopping e acabou sendo a principal atração, onde até a oposição estava presente.

No mesmo dia do comício do Brizola estava programado o do adversário Nelson Nitz e a atração seria o ex-governador Esperidião Amin, que não subiu no palanque.

“E foi aí que eles perderam a eleição para o churrasqueiro”, atestou o jornalista Bola Teixeira que lançou um jornal da Frente Popular na véspera com a seguinte manchete: Leonel está chegando (dúbio sentido, Leonel Brizola chegando em Balneário ou Leonel Pavan chegando na Dinamarca).

Bola lembrou que o referido jornal foi impresso em Passo Fundo. “Fomos eu, a Patrícia e o Ike fazer o jornal em Passo Fundo com o escort do Piu Piu d´Ávila. Na volta o Ike quis dirigir na descida da Serra do Rio do Rastro pegou a valeta e quase despencamos lá de cima…”


Ramones, Sepultura e Raimundos, maior show da praia


Joey Ramone e Fernando Marchiori, na véspera do show, no hotel Geranium

No dia 11 de novembro de 1994 os pavilhões da Santur acolheram sete mil pessoas para o show ‘Acid Chaos Tour’ que reuniu na mesma noite três bandas de rock famosas, encabeçadas pelo Ramones.

“Foi o maior show que Balneário já viu, nunca teve nada parecido e veio gente de tudo que é parte do país para ver”, comentou um fã fervoroso do estilo Fernando Marchiori, hoje secretário do governo municipal.

Ramones e Raimundos ficaram hospedados no Hotel Geranium. “Como eu já era amigo do Jean, filho da dona Dirce, fui ao hotel na véspera do show e conversei com o Joey e também com o pessoal do Raimundos que eu já conhecia de Brasília. No dia do show, o Guilherme, responsável pela iluminação do Raimundo e o Fred que era o baterista falaram para eu chegar mais cedo, entrei antes de abrir os portões e eles me botaram bem na frente, assisti de camarote e nunca mais esqueci”, acrescentou Marchiori.

O jornalista Bola Teixeira, que estava ‘cobrindo’ o show para o jornal Página3, é outro que nunca mais esqueceu aquela noite fantástica. E uma das lembranças foi a reação do então diretor da Santur, Álvaro Silva, quando as portas de vidro vieram abaixo…

“Lembro que eu estava próximo dele quando abriram as portas do pavilhão… a fila dobrava o pavilhão e demoraram para abrir. Resultado: as portas de vidro vieram abaixo e o Álvaro só lamentava, tipo que que é isso!”, comentou Bola.

Fonte: Página 3