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No último domingo, 15 de julho, a SCPar Porto de Imbituba realizou o primeiro sobrevoo da temporada 2018 do Programa de Monitoramento de Cetáceos no Porto de Imbituba e Adjacências. O monitoramento aéreo foi realizado em toda a extensão da Área de Proteção Ambiental (APA) da Baleia Franca, de Florianópolis (SC) a Balneário Rincão (SC), local de maior concentração da espécie, estendendo-se até Torres (RS).

Ao todo, 36 baleias-francas (Eubalaena australis) foram avistadas, índice extremamente positivo se comparado ao mesmo período de 2017, quando foram encontradas 29 baleias.

Julho a novembro é o período em que a espécie utiliza o litoral catarinense para acasalar, procriar e amamentar sua cria, tornando o Estado de Santa Catarina a principal área de concentração reprodutiva de baleias-francas na costa brasileira.

No primeiro monitoramento aéreo de 2018 foi constatada a presença de 13 pares de mães com filhote (totalizando 26 baleias) e 10 baleias-francas adultas solitárias. Estes indivíduos podem ser fêmeas que estão grávidas ou machos a procura de fêmeas receptivas ao acasalamento.

A maior concentração de baleias foi avistada em Imbituba, principalmente nas praias do Rosa, Barra de Ibiraquera, Ribanceira e Itapirubá. Duas baleias acompanhadas de seus filhotes estavam com rede de pesca, uma na Praia da Silveira, em Garopaba, e outra na Barra de Ibiraquera.

O sobrevoo também constatou dois grupos de golfinhos. O primeiro grupo estava se deslocando com filhotes da Barra de Ibiraquera para a praia do Rosa. Os indivíduos eram da espécie Tursiops truncatus, popularmente conhecida como golfinho-nariz-de-garrafa ou boto da tainha, mesma espécie que realiza a pesca cooperativa em Laguna, junto aos pescadores. Não foi possível identificar a espécie do segundo grupo.

Este é o primeiro dos três sobrevôos que são realizados anualmente. O próximo está previsto para setembro, pico de reprodução da espécie; e o último para o fim da temporada, em novembro.

Durante o monitoramento aéreo ocorre o censo dos cetáceos, registrando sua localização e fotografando-os para posterior identificação.

“Todos os animais avistados são catalogados por meio de fotografia das calosidades que elas têm em cima da cabeça, que são únicas para cada animal, como se fosse uma digital”, aponta Gilberto Ougo, oceanógrafo da Acquaplan Tecnologia e Consultoria Ambiental, atual contratada para executar o serviço.

O Programa de Monitoramento

Este é o 10º ano que o Porto de Imbituba realiza o Programa de Monitoramento de Cetáceos. Desde sua criação são utilizadas duas metodologias: o monitoramento aéreo e a observação terrestre dos mamíferos marinhos que visitam a região (baleias, golfinhos, etc.). Atualmente o Programa é realizado no âmbito do Plano de Controle Ambiental (PCA) da SCPar Porto de Imbituba, autoridade portuária, e executado pela empresa Acquaplan.

Conforme explica Camila Amorim, oceanógrafa da SCPar Porto de Imbituba, o objetivo do programa é monitorar a frequência dos cetáceos avistados na região do porto e compreender o comportamento deles frente às atividades portuárias.

“Como os navios que chegam a Imbituba atravessam a APA da Baleia Franca, o monitoramento da frequência de pequenos e grandes cetáceos no entorno do porto, estudando o seu comportamento e acompanhando o tráfego de embarcações, evita possíveis interações negativas e promove maior segurança para a conservação da espécie em seu habitat natural”, destaca Camila.

Durante a temporada, o monitoramento terrestre ocorre diariamente, em dois pontos de observação, nas enseadas das praias do Porto e Ribanceira, em Imbituba. O tempo de observação padrão é de seis horas diárias, divididas em dois turnos, podendo variar de acordo com a quantidade de horas/luz diárias e as condições climáticas, bem como a movimentação dos navios.

Além dos monitoramentos, também se destaca no Porto de Imbituba o Procedimento Interno de Boas Práticas, implantado na temporada passada com o objetivo de conscientizar a tripulação das embarcações que circulam no porto (navios, rebocadores, lanchas, etc.) sobre a presença das baleias-francas na região.

A equipe técnica de meio ambiente do porto realiza a abordagem junto aos comandantes e à tripulação das embarcações, levando informações sobre o comportamento das baleias-francas, mostrando o mapa com os limites da APA e explicando como ocorre o monitoramento dos cetáceos.

Reconhecimentos

Essa atuação focada na preservação das baleias, enquanto dá continuidade às operações portuárias de forma sustentável, já rendeu ao Porto de Imbituba três premiações: o Prêmio Empresa Cidadã ADVB/SC, categoria Preservação Ambiental, nos anos de 2016 e 2017 e o 23º Prêmio Expressão de Ecologia, categoria Conservação da Vida Silvestre.

As baleias e Santa Catarina

A histórica tradição da caça às baleias-francas em Santa Catarina quase levou a extinção da espécie na década de 1970. Apenas na década de 1980 as francas voltaram a ser observadas na costa brasileira, resultando no Decreto nº 92.185, de 20 de Dezembro de 1985, que pôs fim à caça de todas as espécies deste mamífero no Brasil, a partir de 1º de janeiro de 1986.

Avistagens realizadas esporadicamente nos anos 1990 confirmaram o retorno da espécie à região sul do Brasil. Isso motivou o governo federal a instituir, em 2000, a APA da Baleia Franca.

Anualmente, mais de 100 baleias são registradas, em média, em Santa Catarina. A maioria são fêmeas em fase de procriação, que “passeiam” entre o litoral norte do Rio Grande do Sul e a região sul de Santa Catarina, limites da APA da Baleia Franca. Elas vêm para a costa sul-brasileira à procura de águas mais quentes e enseadas protegidas para o nascimento de seus filhotes.

Estima-se que a cada três anos as baleias-francas têm um novo filhote, sendo que o tempo de gestação é de 12 meses. Elas partem da Antártica, onde se alimentam e acumulam reserva energética em forma de gordura para a jornada rumo ao continente sul-americano.

Fonte: SCPar Porto de Imbituba