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Gevaerd visitando unidades de conservação

Por Marlise Schneider Cezar

Há quase três décadas, quando ajudou a criar a secretaria do Meio Ambiente de Balneário Camboriú, no primeiro governo de Leonel Pavan, o atual secretário da pasta Ike Gevaerd, ocupou o cargo de diretor de Ecodesenvolvimento.

Naquele tempo ele já carregava uma bagagem de ferrenho defensor das causas ambientais e junto com o primeiro secretário ambiental do município, Raimundo Malta (in memoriam), tinha planos visionários para Balneário Camboriú. Sonhava alto. Porém muito do que sonhou não se realizou ao longo dos anos. O melhor exemplo disso é o Plano de Manejo do Parque Ecológico, hoje denominado Parque Natural Municipal Raimundo Gonçalez Malta, que este governo fez andar e que será entregue em solenidade festiva nesta quinta-feira (7), às 15h30, no parque.

A solenidade faz parte das programações alusivas ao Dia do Meio Ambiente (5), celebrado nesta terça-feira. Em comemoração à data, a reportagem conversou com o secretário Ike Gevaerd sobre os trabalhos que vem desenvolvendo. Acompanhe:

O que Balneário Camboriú tem para comemorar?

A reinserção das questões ambientais na pauta do desenvolvimento ordenado da cidade. Quando o prefeito Fabrício me convidou para ocupar a pasta ambiental de seu governo, confesso que balancei entre continuar apenas desenvolvendo projetos turísticos ambientais, na iniciativa privada ou dar continuidade a um projeto visionário iniciado em 1989, que foi a criação da Secretaria do Meio Ambiente, a primeira de Santa Catarina e uma das primeiras do Brasil. Optei pela segunda, sabedor que a tarefa seria muito difícil, pois nos últimos anos o meio ambiente era visto na cidade como um órgão responsável por cuidar de poda de árvores e outros temas de pequena relevância ambiental. Hoje, apesar de todas as dificuldades que enfrentamos, estamos conseguindo, junto com nossa equipe técnica, reestruturar e reorganizar a SEMAM. Traçando objetivos a serem alcançados a curto, médio e longo prazo, alguns já atingidos e outros buscando atingir, mas sempre pensando no desenvolvimento inteligente de nossa cidade, que não para e não vai parar de crescer.

Quais as principais mudanças que o meio ambiente está exigindo?

A principal mudança é a conscientização de que as pessoas, os habitantes, empreendedores e visitantes de nossa região, saibam que são também responsáveis por termos um ambiente ecologicamente sadio. Temos que entender que não adianta enxergar na SEMAM a solução, a tábua de salvação para todas as questões ambientais, sejam elas positivas ou negativas. Tomemos como exemplo os nossos cursos de água que estão comprometidos. Atualmente a EMASA está terminando a implantação das redes coletoras de efluentes nos bairros que não estavam conectados, o que muito irá minimizar o problema de saneamento. Na praia Laranjeiras, com apoio do MPSC e da iniciativa privada, resolvemos um problema de balneabilidade que era provocado por quem dela tirava seu sustento. O município está na fase final da busca de recursos para a implantação da rede coletora nas praias da região da APA, onde estamos desenvolvendo também um trabalho de despoluição e recuperação dos cursos de água, que também já estão ficando comprometidos, principalmente com o lançamento de esgoto de residências e comércios. A conscientização de que todos temos uma responsabilidade sócio ambiental, é fundamental para que possamos atingir o que pretendemos.

Qual são os maiores problemas ambientais do município?

Além da falta de conscientização de uma boa parte da população, temos ainda que enfrentar problemas de ego de eco oportunistas, que ao invés de ajudarem a resolver as questões ambientais de nossa cidade, se vestem de paladinos do meio ambiente, tendo na crítica irresponsável seu instrumento de ação e promoção pessoal. No mais, Balneário Camboriú tem os problemas ambientais que afetam todas as cidades litorâneas do Brasil, cito como exemplo maior, a ganância de ganhar dinheiro sem se preocupar com o seu futuro, o das próximas gerações e com a qualidade ambiental do lugar onde vivem.

Quais os programas que a Semam está desenvolvendo ?

São muitos, pois como falei a Semam não está aqui para resolver apenas problemas ambientais pontuais, mas sim para ajudar a construir uma cidade boa para seus moradores, para os que nos visitam e para os que aqui pretendem empreender, enfim estamos aqui para construir uma cidade ambientalmente inteligente, sempre focados nos três pilares da sustentabilidade: o social, o ambiental e o econômico. Seguindo os 16 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS/ONU), destaco os seguintes projetos e programas que estamos construindo e implantando:

– Bandeira Azul – Implantação do Programa Internacional de Certificação Ambiental de Praias

– Requalificação da Praia Central – Acompanhamento do Processo de Licenciamento e orientação para melhoria da qualidade ambiental não apenas da faixa de areia, mas também da Enseada de Camboriú;

– Política Pública de Resíduos Sólidos – Elencada como uma das prioridades a serem desenvolvidas, para tanto, estão em andamento: o projeto e a futura construção do CVM – Centro de Valorização de Materiais Reciclados, na Canhanduba; implantação de 4 Ecopontos; Início da Coleta Mecanizada no Bairro Vila Real; Implantação do PEVPV – Ponto de Entrega Voluntária para Resíduos de Pequeno Volume, Campanhas de Educação Ambiental;

– Terra Limpa – Incremento das atividades desenvolvidas pelo programa, com campanhas de conscientização sobre a temática ambiental;

– Parque Raimundo Malta – Depois de 20 anos, o parque tem seu plano de manejo, onde o habilita a receber oficialmente verbas de compensação ambiental, que já estão sendo requeridas junto ao IMA(FATMA);

– BC Águas Limpas – Revitalização do Canal do Marambaia e programa Águas Limpas Costa Brava, fiscalizando os possíveis poluidores. Rio das Ostras, licenciamento das obras para sua despoluição;

– PRAD – Contratação e Implantação do Plano de Recuperação das Áreas Degradadas da Praia de Laranjeiras;
– Estrada Panorâmica Costa Brava – Elaboração do projeto conceitual para valorização do patrimônio ambiental, turístico, paisagístico e cultural da região compreendida entre Barra e o Estaleirinho;

– Projeto Orla e Gestão das Praias – Adequação destes programas de acordo com o estabelecido pelo SPU e pela Secretaria de Desenvolvimento Sustentável;

– Fiscalização – Atendimento diário de denúncias de agressões ao meio ambiente, processo de licitação de uma lancha para fiscalização e respostas para emergências ambientais. Participação ativa no grupo de contenção de invasões;
– TAC’S – Monitoramento dos Termos de Ajustamento de Conduta acordados com MPSC e MPF, desta e de administrações anteriores

– Proteção Animal – Desenvolvendo junto com o COMPA, ações que visem melhorar a demanda referente ao tema, o primeiro Dog Parque será inaugurado em julho, no aniversário da cidade;

A SEMAM além dos projetos acima, também trabalha na Adesão a Lei n° 9.608/98 com redação que dispõe sobre o Serviço Voluntário, permitindo, assim, que pessoas da Comunidade possam trabalhar, voluntariamente, no Parque Natural, no Horto, Viveiro e Fitoterapia.

Uma Estratégia Ambiental, Turística, Econômica e Paisagística para o Rio Camboriú, que prevê a execução de um Plano Master de Preservação e Utilização do nosso principal curso de água desde a sua nascente, no município de Camboriú até a sua foz. Já elaboramos um termo de referência para sua execução, o plano de trabalho foi realizado e estávamos com a verba destinada através de um TAC com o MPF, mas infelizmente ele acabou não se concretizando, mas já existe um outro caminho que estamos construindo.

Com sua larga experiência em assuntos ambientais qual a nota que daria para Balneário no atual cenário, de 1 a 10?

Nossa pasta dispõe de pouca verba, mas usamos da criatividade, contamos com o apoio do prefeito e de outras pastas, além da parceria com o MPSC para colocar em pé as ações que a SEMAM vem desenvolvendo com sua equipe de funcionários, onde muitos vestem a camisa e outros poucos cumprem apenas as horas que tem que trabalhar sem uma real dedicação, talvez por não entenderem a importância do cargo que ocupam para o correto desenvolvimento de nossa cidade. E assim vamos em frente, sempre acreditando ser possível cumprir nossa missão. Diante das dificuldades que o país enfrenta e os desafios de reestruturar uma pasta antes acéfala, hoje eu daria a nota 7,5, mas garanto que ela até o final desta administração vai melhorar, e muito.

Desde que assumiu o meio ambiente quais foram as principais conquistas da administração?

Começaremos por onde trabalho, o Parque Raimundo Malta, que depois de 20 anos tem seu plano de manejo e foi reestruturado para bem receber seus visitantes. A adequação do Departamento de Fitoterapia, que voltou a produzir tinturas e outros derivados das ervas medicinais, agora com o aval dos órgãos fiscalizadores. A inscrição e a realização dos diagnósticos e do plano de trabalho para habilitação das praias agrestes ao programa Bandeira Azul, o apoio à Secretaria do Planejamento para obtenção da Licença Ambiental Previa para a requalificação da Praia Central, o início da elaboração do Plano de Recuperação de Áreas Degradadas/Laranjeiras, instrumento que irá mudar a cara daquela praia. Além disto, ter feito parte do grupo de trabalho que está valorizando o tratamento dado aos resíduos sólidos no município. Uma das principais conquistas está sendo montar uma equipe motivada, com objetivos e metas a serem atingidas, uma equipe formada por funcionários de carreira que estão resgatando o tesão pelo seu trabalho, por estagiários entusiastas e por um eficiente e pequeno time de cargos de confiança. Não é um caminho fácil, mas chegaremos lá.

Qual seria a sua maior realização como secretário do meio ambiente?

Será a de transformar a APA da Costa Brava em um exemplo para o Brasil de como gerir e desenvolver corretamente uma Área de Preservação Ambiental, com transparência, sem interesses escusos e dentro do que preconiza o Sistema Nacional de Unidades de Conservação. Esta tem sido a tarefa mais desgastante que venho enfrentando, mentiras vem atrapalhando e postergando a missão de atingirmos o objetivo. Por determinação da justiça federal foi determinado, em abril, a constituição de um novo conselho gestor, o que estávamos fazendo de acordo com o estabelecido pelo ICMBio, dentro das regras legais e paritário. Esta decisão foi revogada por uma estância superior. Não entendo como algumas pessoas insistem em querer traçar o destino de praticamente a metade do município, plantando inverdades, como a de que a administração municipal quer beneficiar a construção civil. Mentira deslavada, o que queremos é planejar aquela região de forma correta, sendo que já foi declarado por mim e pelo prefeito que não aceitaremos nenhuma proposta que seja menos restritiva que o atual plano diretor, ou seja o atual plano atende os interesses dos moradores, proprietários e nosso objetivo é que este plano seja parte integrante do novo plano diretor de uma forma coerente, democrática, paritária e participativa.

Fonte: Página 3