O futebol é o sonho de muitos meninos brasileiros, que inspirados em grandes ídolos como Neymar, Cristiano Ronaldo e Messi, sonham em se tornar jogadores profissionais. Apesar de acontecerem seletivas nacionais, a aspiração de jogar internacionalmente é ainda maior e isso está mais acessível há alguns anos com a ajuda de Frederico Moojen (Fred), 36 anos, jogador profissional, natural de Balneário Camboriú, que joga no Canadá, onde reside. Fred auxilia jovens talentos a irem para o Canadá ou Estados Unidos, podendo fazer o Ensino Médio e ou a faculdade por lá representando as instituições de ensino nos times de futebol. O Página 3 conversou com Fred e com alguns jovens que estão vivendo esse sonho ou estão perto de o realizarem.

Abrindo portas

Por Marlise Schneider Cezar

 

Frederico Moojen, conhecido no exterior como Freddy, realiza todos os anos seletivas para descobrir novos talentos do futebol. Ele próprio tornou-se famoso, depois que competiu e conquistou muitos títulos em campeonatos universitários no Canadá e nos Estados Unidos e tornou-se profissional.

No Brasil, ele descobriu o futebol em 1997 no Coritiba, depois passou pelo Avaí, onde ficou até 2004, quando surgiu a oportunidade de estudar e jogar em uma universidade americana. Em pouco tempo o atacante ganhou notoriedade no meio e alguns anos depois tornou-se profissional, chegando a integrar a seleção canadense de futebol.

“Comecei no futebol universitário na América do Norte em 2004. Estudei e joguei por três anos e como fui muito bem em 2007 acabei me tornando jogador de futebol profissional, chegando a jogar em um dos maiores times do Canadá, o Montreal Impact. Desde então venho jogando futebol profissional e fazendo minhas seletivas anuais durante o verão aqui em Montreal”, segue.

Foi esta experiência que o motivou a abrir oportunidade para jovens brasileiros que tem habilidade para o futebol e querem estudar no exterior.

“Comecei com minhas seletivas (showcase) para meninos e meninas de 15 a 21 anos em Montreal em 2012 com um ex- jogador conhecido aqui do Canadá como meu sócio, Antônio Ribeiro. Nós constatamos que havia muito talento aí e poucas oportunidades para esses jogadores serem vistos por universidades americanas e universidades de outras províncias no Canadá”, comentou Fred.

As seletivas são sempre em Montreal nos meses de maio e junho. Muitos jogadores brasileiros e de outros países também como o Marrocos, França, Portugal e Austrália, participam destas seletivas.

“O objetivo é abrir espaço para meninos e meninas de 15 a 21 anos com potencial no futebol e vontade de vir terminar os estudos do ensino médio ou universitário aqui na América do Norte (EUA ou Canadá)”. detalhou Fred.

Ele disse que todos os anos trazem a melhor escola e academia de futebol dos EUA (Montverde Academy) para recrutar jogadores mais novos (15-18 anos).

“Além disso nós trazemos entre 10 e 20 treinadores universitários em cada seletiva para olharem os jogadores que fazem parte da seletiva”, disse, informando que as vagas são limitadas a cada ano: 70 meninos e 70 meninas.

“Em média 50% dos jogadores presentes acabam recebendo ofertas de bolsas de estudo para jogar e estudar em escolas e universidades nos EUA ou Canadá”, acrescentou.

As inscrições para a seletiva de 2020 começarão em agosto. Para maiores informações, atletas e pais podem seguir as redes sociais @RIBEIROMOOJEN ou acessar o site www.ribeiromoojen.ca

Podem também entrar em contato via e-mail: fredmoojen@hotmail.com


 

aqui entram as fotos dos jogadores. O Bruno pode colocar uma foto dele e da família,porque quem fala na matéria é a mãe dele.

 

Sonhos se tornando realidade

Por Renata Rutes

 

Vinicius Moreira, 19 anos, acaba de voltar para Balneário e está na fase de analisar as propostas das instituições americanas para decidir onde irá estudar e jogar. Ele irá para o exterior cursar universidade e integrar o time de futebol da qual ele escolher. Vinícius se formou no Unificado e estava cursando Engenharia, mas agora está prestes a mudar totalmente de vida.

“Meu amor pelo futebol começou quando eu tinha quatro anos e morava em Novo Hamburgo, onde comecei a torcer para o Inter. O meu pai sempre gostou muito de futebol e é de Joinville, para onde nos mudamos. Eu tinha uns cinco anos e pedi para ele me colocar numa escolinha. Ali eu comecei a aprender e sempre me destacava. Quando eu tinha uns sete anos começou a ficar um negócio mais sério. Eu treinava todos os dias, de segunda a sexta, e todos os finais de semana tinha campeonato. Quando eu tinha mais ou menos uns 11 anos fui para São Paulo, em um campeonato sul americano, e joguei super bem. Eu jogava como zagueiro, e um olheiro do São Paulo me chamou para fazer um teste lá. Eu fui, passei e quando isso aconteceu eu e meus pais passamos a perceber que isso um dia poderia se tornar a minha profissão. Começamos a nos dedicar muito mais, a ir atrás de vários times. Mas quando fiz 15 anos decidi parar de jogar, já tinha ido para alguns clubes, mas decidi que não queria parar a minha infância para um negócio que era não certo. Eu decidi então largar o futebol, quando falei para o meu pai foi bem difícil, pensei em tudo que ele já tinha gasto, foram 10 anos. Para ele também foi complicado, porque acreditava muito em mim, mas eu não gostava mais como antes, tinha meio que enjoado. Anos se passaram e em 2018 um amigo meu contou que havia uma viagem para Montreal, organizada pelo Fred, para fazer teste com vários olheiros de universidade e ele disse que estava afim de ir. Ele acabou pegando a última vaga que tinha e foi escolhido para quatro universidades. Eu decidi que em 2019 eu tentaria também. Meus pais sempre falavam que seria bacana eu fazer um intercâmbio. Eu estava cursando Engenharia, mas via que não era isso que eu queria. Eu não estava feliz. Com essa proposta eu estou unindo o futebol, que foi algo que sempre gostei, e a faculdade. Conversei com o Fred por redes sociais, tirei as dúvidas, e eu e meus pais compramos as passagens. Fizemos curso de inglês enquanto isso, nos preparamos. A seletiva foi muito boa, joguei dois dias. Os treinadores dos Estados Unidos e Canadá ficam olhando, no final todos eles falam e uma lista é divulgada por universidade. Fui chamado para instituições dos Estados Unidos e do Canadá. Voltei de lá dia 27 de maio e agora estou correndo atrás para ver como vai ser, para onde vou. O Fred está sempre em contato, foi um cara que ajudou muito a gente. A melhor parte não foi nem ter passado e sim ver o orgulho dos meus pais. Para eles a questão de eu me mudar está sendo tranquila, já estavam preparados. Eles querem que eu seja feliz. Eu ainda não tenho ideia de onde vou estudar e jogar, estou deixando para decidir junto com os meus pais. O investimento é 100% deles, tirando a ajuda que o clube dá, que é uma bolsa, mas o dinheiro da faculdade é todo da minha família. Custos para se manter lá depende da universidade, varia bastante. Pode ser ajuda de 10 mil a 55 mil dólares por ano. Para receber uma bolsa grande precisa ter notas excelentes e um futebol de destaque. É difícil, mas não é impossível. O time ajuda na porcentagem de bolsa e talvez até em questão de moradia, como dormitório, ou ajudar a achar casa ou apartamento. Isso tudo está sendo inesquecível pra mim, é algo incrível e eu só tenho a agradecer os meus pais, que sempre me apoiaram, viajavam comigo para campeonatos, e hoje me proporcionam uma vida muito boa e essa oportunidade de ir para fora. Se não fosse por eles, eu não estaria aqui”.

 

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Tatiane de Nez, psicóloga que atua como coordenadora da área de Desenvolvimento da Unimed Litoral, é mãe de Bruno de Nez, 19 anos, que já mora nos Estados Unidos e se formou no Ensino Médio pela Montverde Academy, de Orlando, e agora se prepara para ingressar na faculdade. Ele está analisando onde cursará Administração e continuará jogando futebol.

“O Bruno começou a praticar o esporte quando tinha 7 anos. Participava de muitos campeonatos se destacando em alguns, porém jogava somente para se divertir, nunca vendo como uma profissão. Conhecemos o Fred através do professor Bruno Ferraz da escola BF Soccer. Foi ele juntamente com o Fred que nos deu a oportunidade de fazer a seletiva no Canadá e após cursar a Montverde Academy. O Bruno se formou lá no dia 25/05 e pretende retornar em agosto para cursar a universidade. Eu e meu marido, Deoni, nos sentimos muito orgulhosos pela atitude e coragem do Bruno para conhecer outra cultura, outros valores e ir em busca dos seus objetivos. Foi um ano de intenso aprendizado. Fomos para a formatura dele, e inclusive foi a primeira vez que a família toda (eu, meu marido e nosso filho mais novo, Guilherme) viajou para os EUA. Agora o Bruno está de férias e retornou conosco para Balneário. Ele morou por um ano em Orlando, morava na escola junto com outros atletas de várias nacionalidades. Jogava pelo time da escola. Ele ainda vai para a faculdade, estamos avaliando juntamente com a Montverde algumas propostas, pois depende do valor da bolsa. Para ingressar numa universidade nos EUA algumas variáveis são importantes, como notas dos 3 anos do ensino médio, a nota do SAT (Scholastic Aptitude Test) que é um teste de aptidão escolar, um exame utilizado pelas universidades em seus processos de admissão para graduação e o desempenho no esporte. O Bruno pretende fazer Administração. O investimento foi parcialmente nosso, Bruno ganhou uma bolsa para cursar na Montverde Academy. Este investimento incluía moradia, alimentação, escola, material didático, uniformes e demais despesas.”

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Renan Müller Macuglia, tem 17 anos e é estudante do Unificado. Ele acaba de voltar da seletiva de Fred e deseja estudar no Canadá ou nos Estados Unidos.

“Meu amor pelo futebol vem de berço, desde que nasci sou apaixonado pelo esporte, meus primeiros chutes foram em torno dos 3 anos de idade, e já aos 6 comecei a treinar, pela Escolinha de Futebol da minha cidade conveniada ao Grêmio, sendo treinado pelo professor Gabriel Cocco, o qual terei sempre grande admiração e reconhecimento. Desde então, comecei a disputar os primeiros campeonatos, já tendo em mente que isso seria o que eu queria levar pro resto da minha vida. Com mais ou menos 11 anos minha família se mudou da cidade de Cruz Alta, do interior do Rio Grande do Sul, para Balneário Camboriú. Chegando aqui continuei treinando e disputando campeonatos (principalmente de futsal) até meus 13 anos, que foi quando eu acabei me distanciando dos treinos, mas não da bola. Continuei participando de jogos escolares, representando o Colégio Unificado, o qual sempre presta grande apoio e auxílio aos estudantes-atletas. Ano passado, coloquei na minha cabeça que eu tinha que voltar a treinar, porque era o que eu queria e eu não podia ficar parado, foi quando eu conheci o projeto do Instituto César Prates, do pastor e ex-jogador de grandes clubes como Real Madrid, Sporting e Galatasaray. E então foi quando voltei as rotinas de treino, treinando intensamente de segunda a sexta e me reaproximando da rotina que me levaria a concretizar aquilo que sempre quis. Meu contato com o Fred surgiu em 2018. Meu amigo Bruno de Nez, que atualmente está jogando e estudando nos Estados Unidos, foi para Montreal participar da seletiva, e foi quando eu, através das redes sociais, conheci o trabalho do Fred junto ao seu sócio Antônio, e então, ao final do ano passado, após comentar com a minha família sobre o projeto, tive meu primeiro contato com o Fred, que desde o primeiro momento, auxiliou a minha família nos procedimentos necessários (inscrição, visto etc) para a minha participação no showcase desse ano. A experiência de ir para Montreal, conhecer um país como o Canadá, com uma cultura diferente e ainda poder mostrar o meu futebol para treinadores de universidades de toda a América do Norte foi algo único. Gostaria de registrar a excelente organização nos dois dias de evento, contando inclusive com fisioterapeutas e profissionais em pronto atendimento aos atletas presentes. Ao final da seletiva é apresentada aos atletas a lista de jogadores que despertaram algum interesse de cada treinador. No meu caso, fui listado por uma escola de Ensino Médio (a única presente) por conta de que estou finalizando a escola nesse ano e também uma universidade do Canadá. Posteriormente, em particular, dois outros treinadores de universidades americanas vieram até mim, demonstrando interesse e conversando sobre a minha possível ida para os Estados Unidos, podendo futuramente ingressar nas universidades as quais representavam. Confesso que quanto a ansiedade da minha possível ida à América do Norte estou bem tranquilo, analisando junto a minha família as possibilidades e priorizando manter o pé no chão para tomar a melhor decisão. O investimento, tanto da viagem para a seletiva, quanto minha possível mudança são da minha família, a qual serei sempre grato por tudo. O valor para se manter lá ainda estamos analisando, levando em conta que tanto a escola quanto as universidades oferecem bolsas de estudos que já contemplam a moradia (na maioria das vezes dentro do campus), estudo, alimentação e até transporte, se necessário. Ainda não está nada concretizado, mas só de ter tido essa experiência, e saber que através do interesse dos treinadores há a possibilidade de realizar dois grandes sonhos que sempre tive, o de morar na América do Norte e também o de poder me encaminhar para um nível profissional dentro do esporte que sempre amei, nesse caso, sem precisar deixar o estudo de lado, como é o que geralmente acontece no nosso país, é gratificante.”

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Iago Pereira, 17 anos, sonha em jogar futebol desde pequeno, e integrou por dois anos a base do Clube Náutico Marcílio Dias. Ele também participou da seletiva de Fred, ainda em 2018, e em agosto embarca para Orlando, onde irá estudar e jogar futebol.

“Desde pequeno eu já tinha o sonho em ser jogador de futebol. Dos sete aos 14 anos frequentei escolinhas de futebol em Canoinhas Vence Sport. Aos 15 anos, em 2017, fiz uma avaliação no Clube Náutico Marcílio Dias onde permaneci por dois anos, na base. Foi então que percebi que poderia, com fé nos planos de Deus, seguir essa carreira. A base do Marcílio foi um grande aprendizado e uma experiência incrível que me fez amadurecer a importância do trabalho em grupo. Treinávamos todos os dias para o Campeonato Catarinense Sub 15. No dia a dia percebi como é a vida de um jogador e as responsabilidades que deve ter. O contato com o Fred Moojen foi através do técnico Marcelo Silva que me indicou para a participação de um showcase. Inclusive foi o Marcelo que me acompanhou em Montreal em 2018. Conhecer o Fred e sua história foi incrível, ele foi uma pessoa que me incentivou muito neste processo até a minha ida ao Canadá e chegar agora nesta fase de ir aos Estados Unidos. A seletiva ocorreu em maio/2018 onde participaram mais de 100 atletas e reuniu representantes de 22 universidades e high school da América do Norte. Após a seletiva, que durou dois dias, e através do Fred e do Antônio, recebi o convite para estudar e jogar na Montverde Academy, em Orlando, onde vou cursar o terceiro ano do Ensino Médio. Vou jogar pelo próprio colégio e disputar campeonatos universitários onde terei uma visibilidade maior. Eu vejo como uma grande oportunidade que não chega para todos e vou me dedicar ao máximo para me profissionalizar e receber bolsa de uma universidade. É difícil não estar ansioso, indo para um lugar diferente e longe, mas tenho me preparado psicologicamente e fisicamente para toda essa mudança que vai influenciar no meu dia a dia. Tenho consciência dessa mudança e estou me dedicando ao máximo no inglês e nos treinamentos. Sempre recebi apoio de meus pais neste meu projeto. Eles sabem que é uma trajetória profissional difícil, que demanda total dedicação, persistência e entrega diária. Eles dizem que veem que é um dom que nasceu comigo, pois sempre fui bastante obstinado em ser jogador de futebol, não almejando dinheiro/fortuna, mas por estar jogando. Eles estão propiciando a realização desse meu sonho e esperamos que Deus reserve grandes vitórias na minha vida. A Montverde Academy funciona como um sistema de internato onde vou morar, estudar e treinar. Minha família participará com 60% dos custos durante o ano, os outros 40% é da própria Montverde. Agradeço a todos que fizeram parte da minha trajetória, além da minha família, os meus professores Marcos Markiv, Ruan Rodrigues, Jader Castro, Marcelo Silva e o Fred”.

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As inscrições para a seletiva de 2020 começarão em agosto. Para maiores informações, atletas e pais podem nos seguir nas redes sociais @ RIBEIROMOOJEN ou acessar o nosso site www.ribeiromoojen.ca

 

 

Fonte: Página3