Morro do Careca, voos de parapente

Os voos solo de parapente estão liberados e já podem acontecer no Morro do Careca, que fica na Praia dos Amores. Porém, os voos duplos (conhecidos como voos de instrução) seguem impedidos, já que é preciso acompanhamento de instrutores e não há associação ou empresa comandando o local no momento. Para eles voltarem é preciso que uma licitação seja feita, e ainda não há resposta da prefeitura sobre isso. No início de setembro, a juíza Adriana Lisbôa, da Vara da Fazenda Pública, acatou o pedido do Ministério Público para tirar a Associação de Voo Livre do Morro do Careca (Amca) de lá. A Amca administrava o local desde 2010, com base em um Termo de Ajuste de Conduta (TAC).

Fiscais de rampa voluntários

A assessoria da comunicação da prefeitura divulgou no sábado (26) que os voos solo voltaram a acontecer. Para que eles fossem liberados, o governo municipal abriu um edital de credenciamento de fiscais de rampas voluntários ainda no início de outubro. No processo foram selecionados oito fiscais, que acompanharão os voos e estão credenciados pela Confederação Brasileira de Voo Livre (CBVL). Eles não receberão nada pelo trabalho e nenhum tipo de benefício, e deverão atuar em sistema de rodízio – para que o trabalho fosse remunerado a prefeitura precisaria fazer um concurso.

O secretário de Segurança de Balneário Camboriú, David Queiroz, explica que fizeram reuniões anteriores ao lançamento do chamamento, onde pessoas ligadas ao voo livre participaram e deram a ideia da fiscalização voluntária.

“Esses fiscais vão controlar e fiscalizar quem irá fazer os saltos, verificando se tem capacidade técnica e os equipamentos necessários. Isso vai garantir que a prática esportiva seja restabelecida para o verão, e principalmente que seja feita com segurança”, diz.

Mesmo com os fiscais de rampas no local, os Guardas Patrimoniais, a Guarda Municipal e Agentes de Trânsito continuarão no Morro do Careca. Na terça-feira (29), será feito um novo chamamento para credenciar mais fiscais de rampa para o espaço.

Queiroz cita ainda que para a volta dos voos de instrução aconteça somente com a licitação, que é de responsabilidade da Secretaria de Administração.

“A secretaria está trabalhando para licitar o local, a expectativa é que isso seja resolvido esse ano também”, completa

O que diz a Amca

O presidente da Amca, Ricardo Neves, opina que a atitude da prefeitura foi ‘de certa irresponsabilidade’, lembrando que os atuais fiscais de rampa foram chamados para viabilizar somente os voos solo – sem passageiros.

“Antes tínhamos a associação responsável por cuidar do local, não só dos voos, e fiscalizávamos a atividade. Hoje se acontece alguma coisa de errado, um acidente, quem responde por isso? São pessoas que vão ficar lá em cima, e os critérios que eles colocaram não quer dizer que as pessoas sejam extremamente capacitadas para esse trabalho. Nossa rampa antes era considerada uma das melhores do país no sentido de organização e administração”, diz.

Segundo Ricardo, houve pouquíssimos acidentes de 2010 até setembro deste ano, somente situações menos graves, como pilotos que ficaram presos nas árvores, ‘mas sem prejuízos maiores’.

“Nenhum momento a prefeitura entrou em contato conosco para que pudéssemos fazer algo a respeito do voo livre. Foi um movimento de pilotos que queriam voo solo, o que é algo egoísta, desprezando todo o resto que acontecia no Morro através da Amca, com atenção só para os voos solo”, pontua.

Quando a Amca administrava o local os pilotos e passageiros possuíam seguro (da empresa Porto Seguro), sendo inclusive algo inédito no Brasil.

“Balneário Camboriú perdeu uma ferramenta turística muito importante, que é o voo duplo de instrução. Isso se perdeu e não vai acontecer nesse verão. Não temos mais isso. A única coisa que foi feita agora foi um efeito paliativo para os pilotos de voo solo poderem voar”, salienta.

Ricardo salienta que entende que a saída da associação foi um ato equivocado da juíza, já que a Amca possuía funcionários e prestava ‘um excelente serviço’.

“A prefeitura não ter licitado o local é um problema que estamos enfrentando e não é culpa nossa. Tínhamos o TAC, um acordo para estarmos lá. Não estávamos invadindo o local, estávamos ali de boa fé. Nunca nos pediram esclarecimentos ou citaram denúncias, só nos tiraram de lá”, acrescenta.

Neves lembra que a Amca prestava ainda um serviço de atendimento ao turista e que isso também se perdeu. A associação estava instalando câmeras de segurança, que foram retiradas. Há denúncias de vários crimes que acontecem por lá, e que antes havia diminuído.

“O Morro do Careca é frequentado por muitas pessoas, principalmente no verão. Antigamente tinha um consumo de drogas muito grande e também arrombamento de carros. Estávamos lá desde manhã cuidando e conseguimos reduzir os crimes. Tinha banheiro para o público, e se eles forem reabertos quem vai limpar? Tudo era feito com recursos da associação, sem onerar a prefeitura. Prestávamos um serviço de qualidade sem gasto nenhum para o governo municipal”, comenta.

Ricardo completa opinando que a situação do voo livre em Balneário Camboriú regrediu ‘mais de 20 anos’.

“Houve uma regressão absurda. Se fosse para fazer algo com segurança e bem feito, então que a prefeitura fizesse a licitação, mas que a Amca continuasse cuidando do local até isso acontecer”, finaliza.